Por muito tempo no âmbito do Ensino Superior prevaleceu que para se capacitar um professor, seria necessário dispor de boa comunicação e vasto conhecimento relacionado à disciplina que pretendesse lecionar (BORBA; SILVA, [S.D.]). Esses mesmos autores tem como fundamento justificativo dessa afirmação o fato de que o corpo discente das escolas superiores é constituído por adultos e o do ensino básico por crianças e adolescentes, dessa forma por se tratar de adultos os alunos não precisariam do auxílio dos pedagogos, por já possuírem personalidade formada e por saberem o que querem e pretendem, não seria necessário exigir do professor mais do que competência para transmitir os conhecimentos e esclarecer dúvidas. O professor de ensino superior como qualquer outro necessita não só apenas do conhecimento da área que pretende lecionar, mas também de habilidades pedagógicas para tornar o aprendizado eficaz.
Baseado no que foi exposto no texto acima, esse artigo visa mostrar através de revisão bibliográfica a importância da didática no ensino superior.
2. A DIDÁTICA NO ENSINO SUPERIOR E SUA IMPORTÂNCIA
Com os levantamentos que são realizados ao longo dos cursos fica claro as deficiências na formação do professor universitário. É comum que a maioria das críticas nesses cursos em relação aos professores refere-se à falta de didática, por essa razão muitos professores vem realizando cursos de didática do ensino superior (BORBA; SILVA, [S.D.]).
Há anos, várias instituições têm se dedicado a formação continuada de professores. O primeiro órgão no Brasil a voltado a assessoria pedagógica do docente universitário foi o Laboratório de Ensino Superior da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (BERBEL, 1994).
Em função das necessidades da sociedade, as universidades acabam a desprezar o registro de projetos e ações extensionistas (GUIMARÃES, 1997, p.58). A autora frisa que, “perde-se assim a possibilidade de criar história, recomeça-se frequentemente do zero, desrespeitando-se trajetórias já executadas, mas não escritas”.
Segundo RIBAS (2000 p. 62) “a prática pedagógica só se aperfeiçoa, por quem a realiza, a partir de sua história de vida e saberes de referência, das experiências e aspirações” e que “é na prática e na reflexão sobre ela que o professor consolida ou revê ações, encontra novas bases e descobre novos conhecimentos”.
Segundo ALTHAUS (2004), a ação didática no ensino superior é pautada pelas tensões enfrentadas no cotidiano universitário e consolida-se pelo o que é inerente à extensão: “A autêntica ação de estender o conhecimento, via extensão universitária, operacionaliza-se por meio de uma práxis dialética (mediadora entre universidade-sociedade-universidade) de produção / reprodução crítica do conhecimento” (RAYS, 2003, p.3).
ALTHAUS (2004) afirma que a escolha da didática se justifica pelo objeto de estudo: o ensino, e suas relações com o trabalho pedagógico. A autora AMARAL diz que:
“Diferentemente do que se propõe no ensino de alguma coisa, não temos aí o problema da especificidade do saber, delimitada em bases epistemológicas: delineia-se, com base no diferente, o que perpassa todas as situações. O papel da Didática, no caso, é o de percorrer os diferentes campos, auscultando as diferentes experiências, para levantar as semelhanças e promover o enriquecimento do próprio campo e dos outros campos.”. (2000, p.143).A prática da didática necessita ser vivenciada pelos educadores e não somente descrita como um importante instrumento pedagógico, desse modo compreendemos que a utilização da didática assim como suas adequações na sociedade do conhecimento é uma condição indispensável para a garantia de uma boa educação (SANTO; LUZ, 2013).
A formação tanto do professor quanto a do aluno para quem ele leciona deve ser encarada como um processo permanente, integrado no dia-a-dia. As instituições de ensino superior precisam ampliar as ofertas de cursos de especialização na área pedagógica, para contemplar um número maior de professores. Para possibilitar a formação contínua, propor projetos pedagógicos que envolvam os docentes em grupos de estudos na busca de reflexão sobre o corpo docente (NÓVOA, 1991).
Fonte: Meu artigo Brasil Escola

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